Passei a olhar para as pessoas com os meus próprios olhos, privando-me das banalidades da vida. Olhei para dentro, vi o interior e a sua originalidade. Vi os seus olhos brilharem quando a vida parecia estar a pregar das piores partidas e aprendi, que os olhos são a fonte de inspiração dos maiores e mais talentosos artistas do mundo.
Quando descobri que a composição de uma lágrima de um menino negro é igual á composição de uma lágrima de um menino branco percebi que o racismo é um luxo. Tem que ser rejeitado e tem que se saber as regras fundamentais para sermos boas pessoas. Pensando bem e reflectindo para mim, ninguém é uma boa pessoa. Podemos ser carinhosos e amáveis e nunca ter cometido qualquer crime, mas ninguém se livra do peso da mentira ou do peso do racismo, da vergonha e da arrogância de um passo infalso. É a verdade, nua, crua e posta ao de leve sobre uma página de internet, num blog qualquer que mal sei o nome e que dei á pressa. Precisava de isto, precisava de desabafar os meus pensamentos e as minhas ideias, para não me chamarem de maluca (...)
Se quero evoluir tenho que olhar para o interior e não para cor de pele que um ser humano constitui. Não só porque antes de conhecer essa pessoa, ela já era negra ou branca, ela já tinha a sua cor e a sua origem mas porque ela já tinha raizes, ela já falava e já era habituada á privação e ás obrigações da idade. Ela já tinha um cérebro, já pensava por si própria e já tinha a noção que cada um é como cada qual, e que enquanto a cor da pele tiver mais importância que o brilho dos olhos, haverá guerra em todo o mundo. Agora pensando no ampliado, agora pondo os termos em geral e como se costuma dizer, pôr os pontos nos i's:
O mundo é uma esfera onde cabe cerca de um numero indeterminado certo?, coberto por pessoas de todas as raças, feitios e tamanhos, obviamente. Por pessoas não só negras, como amarelas e avermelhadas e, nós? Nós pertencemos ao "nosso mundo", onde só existe pessoas iguais ou semelhantes a nós, e parece que não crescemos. A mentalidade permanece igual á de outrora, porque ninguém tem o luxo da mudança. Todos têm noção que não somos os únicos a viver e a beber da água que bebemos, mas ninguém abre os olhos para um interior, preferem fugir. Preferem fugir do que arriscar a conhecer novas culturas. Preferem somente olhar e fingir que não é possivel ver. Nem com campanhas contra o falado racismo, imensos avisos e diversos textos nota-se alguma diferença.
E eu sou assim, mais um humano com a noção de tudo mas com medo do desconhecido. Se uma pequena jovem de 14 ou 15 anos atravessou o mundo de barco á vela e com frascos de chocolate, porque é que nós não fazemos o mesmo? Porque é que não partimos todos deste "nosso mundo" e vamos conhecer um mundo diferente? Um mundo onde as pessoas avermelhadas são nossas amigas pelo simples facto de terem um coração que palpita e bate tal e qual como o nosso. Onde o amor impossivel é realmente possivel, e a distância é uma pequena desvantagem que nao impede de um casal negro, branco, lilás, amarelo ou vermelho de ser feliz. Porque mal um olhar intenso de cruza e conversas puxam conversas, mal o calor de um corpo se junta com o calor de outro e torna-se numa temperatura agradável, existe o amor. Não é preciso ter borboletas na barriga, isso são tudo histórias. É preciso é ter uma alma e uma mente aberta. É preciso é aceitar todas desvantagens e vantagens de um namoro ou casamento que há vista de outros parece não resultar. Para nós há-de sempre resultar! Certo?
sábado, 29 de maio de 2010
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