quarta-feira, 6 de abril de 2011
uma folha de rascunho
- E tu? - perguntas-te - Vieste á minha procura ou vies-te contar as cores que o vento tem? Achei estranho, de inicio. Logo depois percebi o que querias dizer, era mais complexo do que eu pensava. O que querias mesmo dizer, por entre aquelas palavras confusas, era que querias estar comigo. Querias estar, apenas. Não querias nem olhares, nem palavras forçadas, nem muito menos afectos. Querias só passar um bom tempo comigo, e, mesmo que eu respondesse que estava ali, na rua D. Sebastião que por acaso é a rua exacta da tua acaso, ao acaso... Irias sempre perceber, porque na verdade, só lá estava para ver se te via. Mas, o que é certo é que quando te visse, sei que iria fugir. Já passou tempo desde a ultima vez que falámos, que o saldo do telemóvel fugia por entre os dedos e as horas pareciam segundos na tua companhia. Lembro-me ainda, das longas tardes de Verão que passámos juntos. Sei que um dia vais perceber tudo o que te digo nesta folha de rascunho. Perfeito, é palavra pouca para como nos viamos um ao outro... Era tão bom quando estavas lá comigo, nos longos jantares de família e aniversários do meu vizinho preferido, Sr. Barroso que, por doença, achava que fazia anos todos os meses no dia 16. Não éramos os namorados mais invejados da zona, até porque, rapazes era coisa que nunca ouvi muito falar. Quando te vi, pela primeira vez, na loja da esquerda da rua do teu irmão Marco, com a tshirt azul torquesa e o sorriso brilhante, soube de imediato que eras aquele que me iria fazer feliz por muito tempo. E fizes-te, não duvides. Fizeste-me feliz como nunca nenhum rapaz tinha feito, nunca me tinha surgido fazer o que fiz contigo, todas as vezes que por indisciplina e rebeldia mentia á minha mãe para passar uma hora ou duas fora de casa, abraçada a ti com vontade de fugir contigo. Não sei nem percebo porque é que o nosso amor acabou, porque é que deixas-te de sentir por mim o que até ao dia sentias. Pensar que agora, neste preciso momento, podias estar aqui para mim. Podias estar ao meu lado, a tocar-me, a fazer-me sentir a rapariga mais sortuda do Mundo. Não me sinto assim faz tempo, faz tanto tempo quanto o tempo em que deixas-te de gostar de mim, se alguma vez gostas-te. Gostar, é areia á mais para a tua camionete... És dos que prefere aquelas que, por má vontade, te fizeram a cabeça contra mim. Preferes as mesquinhas, as "perfeitas-por-fora-ocas-por-dentro", se é que me percebes. Não vou dizer o teu nome, porque se, algum dia leres isto, vais saber que é para ti. Faço disto rascunho no meu livro das memórias, um dia destes, rasgo a página e mando fora.
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