Ás vezes mais vale calar o silêncio e deixar falar o
coração, até porque quando falamos com o coração, falamos melhor, falamos mais
verdade e damos vida ás palavras mortas ditas num acaso da vida. Não há nada
melhor do que olhar para nós, e pensarmos que estamos vivos, mesmo com tantos
problemas que existem à nossa volta. Para além das mil voltas que a vida dá e
dos mil pensamentos que nos surgem a cada página virada, ainda estamos cá, para
ficar, para aguentar. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e então e as
vontades? Mudam com o quê? Não é com os tempos, porque os tempos limitam-nos a vida
tanto, tanto, que até doi de ver a vida de frente. Há sentimentos que nos dão
tanta vontade de chorar, de gritar e de gemer de dor e que preferimos calar.
Calamos a nossa fúria, porque temos medo de nos ver furiosos. Ninguém se
controla quando se sente ameaçado, com medos e dissabores, ninguém leva a vida
ao sabor do vento, já nos incitava a Pocahontas, naquele clássico primeiro
filme, que distinguia uma jovem índia de um cidadão da mais luxuosa corte de
Inglaterra. Não há controlo no nosso
espirito, nem sobre o que nós possuímos, quanto mais sobre nós mesmos. Doi só
de pensar que um dia vou ficar sozinha, neste mundo de infiéis cruéis que põem
o nosso povo a pão e água, e ainda pedem um bocado, cheios de comida na mesa.
Mas tudo bem, uma pessoa até aguenta a dor, tem de ser…
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